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Transformação Digital é tema central no Digitalks Expo Portugal 2020

Evento abordou a transformação digital nos negócios e nos comportamentos humanos em edição totalmente online; veja os destaques

 

Em uma interação totalmente digital e gratuita, o Digitalks Global Summit aconteceu nos dias 15 e 16 de dezembro. O evento reuniu o Digitalks Portugal e o Digitalks Brasil, e teve a Transformação Digital como tema central. Foram mais de 50 conceituados palestrantes internacionais e agregou a realização do Digitalks Expo Portugal 2020, Digitalks Executive, Digitalks Global Experience e a 7ª edição do Prêmio Digitalks.

Flávio Horta, CEO do Digitalks, Maria Carvalhal, diretora de Operações, e Rafael Soares, diretor do Digitalks em Portugal, fizeram a abertura do evento online e em simultâneo. “Seguimos reinventando para atuar nesse novo modelo, de forma segura e utilizando todos os recursos de interação que nossa plataforma permite, em um formato híbrido que veio para ficar”, destacou o CEO do Digitalks Brasil.

Dentro do aspecto de Transformação Digital, o evento teve conteúdos ricos sobre inovação, novos negócios digitais, economia e educação. 

Confira abaixo os destaques do Digitalks Expo Portugal 2020. 

 

Inteligência Artificial para os Negócios

 

Martha Gabriel no Digitalks Global Summit Um dos momentos mais esperados foi a participação de Martha Gabriel, uma das pensadoras digitais mais influentes do Brasil, futurista pelo Institute For The Future (IFTF) e autora de de best-sellers como “Marketing da Era Digital” e “Você, Eu e os Robôs”. Foi justamente o tema desta obra mais recente que Martha dissecou em sua palestra “Inteligência Artificial para os Negócios”, destacando como a IA emerge no mundo hoje, quais são os impactos e as possibilidades e como utilizá-la para alavancar oportunidades sociais, biológicas e econômicas.

Martha aponta que futuramente vamos nos misturar com as máquinas e acredita que é completamente possível haver um equilíbrio entre a capacidade humana com o uso e aplicação da Inteligência Artificial. “Elas são complementares. Enquanto a IA é movida por automatização, volume de dados e velocidade, nós humanos somos dotados de autonomia e pensamento crítico. A máquina é a razão e o humano é a emoção”, ao que Martha acrescenta outros dois importantes fatores humanos: o melhor uso e compreensão da ética e da empatia.

Os tipos de Inteligência Artificial evidenciam o avanço que vemos hoje, que incluem a exploração da criatividade, conectividade e updatability (capacidade de atualização), em corpos de IA como em robôs, bots, Androids & Gynoids e Cyborgs. A Inteligência Artificial associada a recursos de Internet das Coisas (IoT), Big Data, Blockchain, Robótica e Nanotecnologia, que já estão em nosso dia a dia, somados à impressão 3D e Quantum Computing, são os pilares estruturais da transformação tecnológica pelo qual o mundo de hoje passa e que tende a modificar profundamente todas as dimensões da nossa existência, seja no aspecto social, biológico, físico, ambiental, econômico e/ou cognitivo.

“A inteligência de um sistema é sua capacidade de processar fluxos de informação para alcançar objetivos otimizando recursos”, enfatizou a pensadora digital. “Tudo o que puder ser digitalizado e automatizado, será. Para nos mantermos relevantes neste cenário, precisamos fazer aquilo em que somos melhores que as máquinas”, ensinou Martha Gabriel.

Martha finalizou sua palestra fazendo um grande alerta de que é preciso discutir a regulamentação não só para as big tech, mas na sociedade como um todo, criando mecanismos de defesa e privacidade de dados.

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Marketing x Vendas

 

Na palestra “Marketing X Vendas: resultados e estratégias customer centric no Mercado B2B”, conduzida por Ana Barros, diretora executiva da OUTMarketing, os executivos portugueses Joana Vilhena, Marketing & Distant Sales Director da Edenred e Pedro Pinto Lourenço, director Business Applications da Microsoft, destacaram a importância da aproximação das áreas de Marketing e Vendas, com alinhamentos de processos e de objetivos comuns, que culminam em resultados positivos e ampliados na estratégia de negócios. “A pandemia acelerou a digitalização, trouxe uma conscientização maior para marcas e produtos e refletiu em uma melhor experiência e jornada de compra do consumidor”, explicou Joana Vilhena. A mudança de processos foi fundamental, o cliente está cada vez mais exigente, é tudo urgente, temos que ser mais ágeis e mais flexíveis. O grande foco é compartilhar objetivos e definir estratégias em conjunto, além de ter ambientes descontraídos”, diz ela.

“Vimos um avanço na valorização dos dados para o cliente a partir da maior interação que buscamos. É preciso olhar para a informação como uma fonte de receita”, afirmou o diretor da Microsoft, que também reforça a importância da simplicidade na comunicação e na adoção de ferramentas de tecnologia e defende a democratização da Inteligência Artificial para otimizar e ter uma base sustentável de dados”. Há desafios e aprendizados no customer centric, mas o bom uso da tecnologia e a interação entre as equipes podem trazer mais leads tanto para os modelos B2B quanto B2C.

 

Mercado Digital em Portugal

 

No painel “Visão Geral do Mercado Digital em Portugal e Tendências”, os executivos Mariana Wanzeller Teófilo, Digital Marketing Manager da Universidade Europeia, e Gabriel Augusto, diretor da Flag, debateram com o consultor Richard Mello as perspectivas de crescimento, mudanças e tendências que estão surgindo neste segmento. ”Houve muitas mudanças nos últimos três anos, o e-commerce evoluiu e avançou para as mídias sociais, com campanhas segmentadas, envolvimento maior do consumidor e, com isso, houve uma melhoria acentuada de resultados, especialmente com um consumidor que mostrou-se ainda mais exigente”, destacou Mariana.

O diretor da Flag complementou que “tudo está automatizado, o digital rompeu barreiras e acabou tornando-se mais relevante, principalmente com a gestão de dados, buscando inteligência para marcas, clientes e produtos”.

O ensino online teve que fazer uma transição completa e criar mais ofertas. “A tendência é crescer e ampliar sua permanência, porém sendo um suporte para o ensino presencial e agregar vantagens nos dois modelos”, concluiu Mariana.

 

O conceito “Onlife” na conexão entre o on e o off-line

 

Karla Passeri, head de Comunicação e Marketing da Embelleze Europe, e Nuno Fernandes, head de Marketing e Partnerships da Zomato, plataforma de busca de restaurantes, analisaram as estratégias para atrair os consumidores analógicos para o mundo digital e o universo “phigital”, no painel “Onlife: como o e-commerce pode contribuir para a experiência entre consumidor e marca”, dentro do Digitalks Global Summit.

No mundo onlife, em que o analógico e o digital se integram, “a conexão entre o on e o off-line é fundamental”, disse Nuno. Porém, para que ela seja efetiva, “tem que haver consistência, mas ao mesmo tempo tem que haver uma estratégia”, ressaltou o executivo. Ainda de acordo com Nuno, questões como ofertas, dimensionamento de estoque, descrições do mundo off-line não podem necessariamente ser os mesmos no on-line. Se isso ocorrer, “não causará a melhor experiência [para o cliente] e vai criar sempre uma fricção”, advertiu.

Karla falou sobre o conceito de “prossumer: o produtor e o consumidor de conteúdo ou do próprio produto ou serviço ao mesmo tempo”, em que “essa produção pode ser afetada por reviews e opiniões do consumidor”. Segundo a especialista, é preciso que as empresas criem um padrão de entendimento desse consumo e ao trabalharem com o mundo de dados disponíveis (Big Data), poderão fazer com que o prossumer se consolide nos negócios.

Contudo, as empresas têm desafios a enfrentar para avançar no universo onlife. Para Karla, nesse mundo integrado/híbrido, hiperconectado, o grande desafio é a adaptação. “Quando nós entendemos que o nosso negócio continua com seu propósito de existir, de marca (…), a estratégia que nós precisamos ter para inserir nossa marca nesse novo mundo é fundamental para que essa adaptação aconteça de modo que os nossos consumidores venham mais para dentro da marca e não que se afastem”, defendeu.

De acordo com Nuno, um dos pontos essenciais é que os profissionais ou as empresas não estejam presos a âncoras de algo que pode ter sido ensinado há cinco, dez anos, que era considerado um cânon da indústria. “Hoje em dia, para deter essas âncoras, saber libertá-las, navegar e se adaptar em território desconhecido é essencial,” concluiu.

 

“O futuro mudou bem na minha vez”

 

Dado Schneider no Digitalks Global SummitCom ideias sobre a relação entre o comportamento humano e o conflito de gerações com a transformação digital, o Prof. Dr. em Comunicação da UFRS Dado Schneider trouxe no painel do Digitalks a palestra “O Futuro mudou bem na minha vez”. Baseado no seu livro quase homônimo “O Mundo mudou bem na minha vez”, o acadêmico analisou como a pandemia veio para acelerar os processos tecnológicos em todas as estruturas da sociedade.

“Quando já estávamos nos acostumando com a ideia sobre o que o futuro poderia nos trazer, muito se falava em transformação digital, porém ela vinha ocorrendo de forma lenta, vem essa pandemia e muda tudo”, observou.

Para Schneider, as relações, as agendas e as estruturas do século 20 eram verticais, hierarquizadas, onde os velhos eram resistentes às mudanças e os jovens queriam adotar as novidades. Já no século 21, é horizontal, com coparticipação e onde todos estão no mesmo nível. “Fomos jogados no século 21, onde muitos ainda têm a cabeça no século 20. Ele ainda tenta impor a agenda para esse novo século. Hoje o aprendizado vem de múltiplas fontes. Somos expostos a uma velocidade e a quantidade das mudanças que ninguém experimentou antes”.

Ainda na visão do especialista, hierarquias perderão espaço no futuro. “Aquele mundo hierarquizado em que a autoridade era imposta, e não conquistada, não existirá mais. Reconheceremos, cada vez mais, líderes que trabalham junto, que dão retorno. Vamos lidar de forma mais horizontal nas relações. Essa geração não tolera preconceitos. As hierarquias devem ser conquistadas”.

Schneider encerrou o encontro online com muito otimismo. “Acredito que vamos viver muito mais e chegaremos bem até o final. Vamos terminar essa década de forma espetacular do ponto de vista humanitário. Estamos vivendo um período de troca em que as pessoas não querem mudar o mundo, e sim, melhorá-lo”, afirmou.

 

Dicas e insights sobre transformação digital pós-covid

 

O segundo e último dia do Digitalks Global Summit, maior evento de inovação e transformação digital do mundo, iniciou com o tema “Aceleração digital pós-covid: dicas e insights das experiências do mercado de e-commerce”. O painel reuniu Marta Lousada, head de e-commerce da LVMH Group – SEPHORA Portugal, Sara Ribeiro, gerente de brand & e-commerce da Sport Zone, e Rui Abreu, diretor global de vendas da Street Surfing, sob moderação de Vanessa Caldas, fundadora da E-Commerce Experience.

A pandemia trouxe desafios, lições e oportunidades para as empresas. “Este ano foi mais do que um aprendizado, foi um ano de a gente perceber que não existem verdades absolutas, e que nós temos que estar preparados o tempo inteiro para nos adaptarmos à realidade de quem consome o produto da gente”, afirmou Vanessa.

Entre as lições aprendidas, aliar a presença digital e a força da marca se mostrou essencial. A SEPHORA, reconhecida pela experiência “skincare” oferecida aos seus clientes, ampliou seu portfólio de produtos e negócios para além da maquiagem. Para Marta, “existem desafios para o negócio, mas acredito que a construção de marca e o raio que existe à volta de algumas delas são fundamentais para que os produtos continuem a vender”.

A pandemia acelerou o processo de digitalização das pessoas e as empresas contribuíram com isso. A Sport Zone, rede de lojas de vestuário e produtos esportivos com forte tradição física, vivia em fevereiro deste ano a migração da sua plataforma de e-commerce, quando em março foi surpreendida pela Covid-19. O aumento das vendas de produtos nas lojas fez com que a companhia rapidamente percebesse que os clientes já se preparavam para permanecerem em casa, agilizando a estruturação do seu canal e-commerce e de toda cadeia digital, envolvendo logística, por exemplo. “Mal sabíamos e não antecipávamos, naquele momento, confesso, efetivamente o que viria acontecer com a questão do treino em casa e das pessoas quererem se capacitar de produto e de informação, o que foi bastante importante no nosso caso, para conseguirem efetuar seus treinos e continuar a desenvolver o marketing esportivo. Isso para nós foi ótimo”, contou Sara Ribeiro.

As fronteiras fechadas e as medidas de isolamento social que impediram a circulação das pessoas fizeram com que a Street Surfing, que não atua na venda direta, focasse em sua estratégia digital. Segundo o executivo, enquanto marca, a empresa precisa pensar cada vez mais no formato digital.

Porém, se o e-commerce eliminou fronteiras, surgiram também entraves. Segundo Rui, ao mesmo tempo em que houve uma transferência dos negócios entre os canais de venda, houve dificuldades, o mercado estava confuso. “O sourcing [cadeia de suprimentos] estava caótico, aliás nunca esteve pior”, diz, observando, por exemplo, a falta de componentes para produção ou falhas logísticas. “Vivemos ainda tempos de contínua busca de soluções, contínuo ajuste de estratégias (…), e acho que vamos sair todos mais fortes”, concluiu.

 

“Mulheres digitais” abordam o ambiente tecnológico e a participação feminina

 

A diversidade na área tecnológica foi analisada no painel “Mulheres Digitais: o ambiente tecnológico e a participação feminina”. Segundo Claudia Mendes Silva, moderadora do encontro, uma pesquisa feita no Brasil revelou que em 61% dos lares, a mulher é a grande responsável pela decisão de compra. Outro estudo, divulgado pela Nielsen, apontou que somente nos últimos cinco anos, a riqueza produzida pelas mulheres cresceu 25% em todo o mundo.

Painel Women in Tech no Digitalks Global Summit

Romana Ibrahim, cofundadora e CEO da fintech Keep Warranty, analisou o impacto das empresas mais jovens na transformação digital dos negócios mais tradicionais. Para a executiva, “as startups nesta área têm um papel fundamental e vão possivelmente ajudar as empresas que já operam no mercado altamente formal a fazerem a inovação para que elas estejam muito mais próximas de seus clientes”.

Dois fatores que mais contribuíram para a inovação da Vista Alegre Atlantis – fábrica de porcelana fundada em 1824 em Portugal –, foram a tecnologia e a diversidade, segundo Carla Graça, CDO da companhia. “Consideramos que a tecnologia é um forte aliado que nos ajuda a prestar um melhor serviço, mais personalizado e conveniente”, disse. A inovação na diversidade, segundo a executiva, é importante para o processo criativo.

A influência das mulheres no consumo digital e as diferentes estratégias para as compras planejadas e por impulso foram abordadas por Michelle Oliveira, cofundadora e diretora de Operações e Marketing da Digital Manager Guru. Segundo a especialista, a compra planejada exige uma conexão ágil com o consumidor. “A empresa faz conexão desde o início da jornada, na captação de leads”, ressaltou. Ainda de acordo com Michelle, as compras por impulso são responsáveis por 40% das vendas no mundo, segundo pesquisa feita em 2019.

Para mulheres atuarem na área digital, Carla Graça ressalta a necessidade de se capacitar, atualizar-se, adaptar-se e ter capacidade de comunicação. “Eu diria também que é preciso ser criativo neste mundo digital”, completou. A diretora da Guru defende que é preciso “estar à frente do seu tempo, sair fora da caixa”.

As especialistas deram dicas para mulheres que desejam ingressar na área tecnológica. Para Michelle, o primeiro passo é a autoconfiança e se sentir à vontade, independentemente do ambiente em que se trabalhe. A executiva foi a única mulher junto a 39 homens na sala de aula da faculdade. “Cada um entrega o que tem de melhor (…) É ir sem medo. Acredita nas coisas que tem que fazer. Vai lá e faz”, diz. Carla Graça reforça que é preciso ter “autoconfiança e não ter medo de abraçar áreas desconhecidas”.

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