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Um novo Normal Digital: andar, correr, acelerar e ligar o turbo!

Já todos entendemos que caminhamos para uma alteração das relações sociais e empresariais. “Um novo normal” como já ouvimos por aí…

Mas do que se trata este novo normal ao nível das empresas e dos seus negócios?

Trata-se sobretudo de um aumento da velocidade dos processos de negócio! Se pensava que já estava a ir rápido, então prepare-se para o que aí vem. Tudo será ainda mais rápido.

Um dos meus hobbies é analisar a evolução tecnológica através da história, uma vez que considero que antecipar o futuro tem muito a ver com o entendimento de fatores ou eventos disruptivos do passado e que podem ter aspetos similares aos do presente. Certamente essas aprendizagens podem analogamente ser aplicadas ao novo contexto e com as novas tecnologias.

Procurei fazer um exercício simples de análise do passado, para antecipar alguns caminhos do que aí vem, e que descrevo de uma forma muito simples nos três pontos seguintes:

  • Anos 80 – a massificação do computador pessoal transformou a forma como as empresas interagiam com a tecnologia. Deixaram os modelos centralizados de computação e decisão, para passarem a ter modelos descentralizados e com capacidade de decisão local. Começámos “a andar”!
  • Anos 90 – a massificação da Internet criou modelos de negócio totalmente online. A informação passou a estar à distância de um clique. Pudemos passar muito rapidamente a fazer compras através do mundo digital. Os processos deixaram de assumir exclusivamente o mundo físico. Começámos “a correr”!
  • 2007 – apareceram novos conceitos de mobilidade, induzidos pela criação do iPhone e do sistema operativo Android. Tudo passou a estar também disponível à distância de “um dedo”. Começámos “a andar de carro e a usar o pé no acelerador”!

Em 2020, a pandemia Covid fez com que as empresas instaladas em escritórios físicos mudassem para escritórios virtuais, em casa de cada um dos seus colaboradores. As empresas foram empurradas para isso, mas passaram a entender que o mundo digital funcionava e tinha potencial de crescimento. E, agora todo o mundo passou a entender que, mesmo tendo sido à força, os seus processos se tornaram mais ágeis e eficientes através da implementação de transformações digitais. Tal implica que o nosso carro passe a ter “mais potência”. Algumas empresas entenderam mesmo que, se mudarem alguns dos seus processos de negócio, podem passar a ter um “turbo nos seus motores” e, assim, distanciarem-se bastante da sua concorrência, ganhando vantagens competitivas claras.Tal como numa corrida de automóveis, no mercado empresarial iremos passar a ter os profissionais e os amadores. Aqueles que ficaram a correr ou a entrar no carro e aqueles que puseram o capacete, calçaram as luvas e ligaram o turbo. De que lado você quer estar?

Prepare-se, pois vamos andar muito mais rápido. Seja profissional e crie desde logo um Plano Estratégico Digital que alinhe negócio, tecnologia e pessoas. Em segundo lugar, crie uma equipa que lidere a sua implementação, tal como uma equipa de “competição” automóvel procura garantir que o seu motor não gripa a meio da corrida. Em terceiro lugar, saiba definir uma arquitetura tecnológica capaz de ser modular e escalável, de forma a garantir que está a utilizar os materiais adequados à pressão e desgaste o seu automóvel vai sofrer na corrida.

Se pensava que a pandemia Covid foi um caso de saúde pública das pessoas, acredite que é também um caso de saúde digital das empresas. Só tem de entender que esta é uma fase inicial, pois em breve poderemos estar a voar!

Se pensava que estava a ir muito rápido na sua empresa, então equipe-se bem, pois vai andar mesmo muito mais rápido!

Rui Ribeiro

Com mais de 20 anos de experiência profissional é atualmente Diretor Geral da IPTelecom, tendo anteriormente sido Diretor Comercial e Desenvolvimento de Negócio da Infraestruturas de Portugal S.A., Diretor de Sistemas de Informação na EP – Estradas de Portugal S.A. e Professional Services Manager da Sybase Inc. em Portugal. A nível universitário é Diretor Executivo da LISS – Lusofona Information Systems School, Diretor da ESCAD – Escola Superior de Ciências de Administração do IP Luso, Diretor da licenciatura em Informática de Gestão da ULHT e Docente da ULHT. Licenciado em Engenharia Informática pelo IST, MBA na Universidade Católica Portuguesa e DBA – Doctor in Business Administration no ISCTE/IUL com a Tese “Business Models for Open Source Software Vendors”.

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