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Nada ficará igual! Agarre a oportunidade digital!

Winston Churchill no seu segundo livro “The River War” de 1899, onde descreveu a sua experiência na guerra do Sudão, escreveu que “Não basta fazer o nosso melhor; às vezes devemos fazer o que é necessário”.

Isto é o que muitas empresas têm procurado fazer nestes últimos tempos. Têm feito o que podem, com o que têm, sem saber bem para onde vão e se é o caminho certo. Procuraram fazer o necessário para garantir que não paravam. E foram andando ou correndo, da melhor forma que sabiam. Com muitos erros, com muitos sucessos, mas só aqueles que não pararam têm potencial de sobreviver.

Contudo, e se o início é sempre emocional, importa começar a racionalizar. Continuar a dar tiros para todos os lados, pode servir numa fase inicial como resposta ao ataque massivo a que somos sujeitos, mas continuar nessa tática, só irá consumir energias e perder o foco.

Agora é tempo de racionalizar, começando a estruturar novas estratégias, identificando as competências essenciais que se tem, entendendo como o mercado atuou e antecipando como irá atuar daqui para a frente. Os hábitos alteraram-se radicalmente e estarão para perdurar.

Nada ficará igual!

O que há garantido atualmente no mercado? Pouco ainda, ou mesmo nada, mas há algo que está certo: o mundo digital será um dos centros no jogo dos novos modelos de negócios que irão aparecer agora.

Muitas empresas avançaram 5 a 10 anos na sua vida digital, neste último mês, pois sempre “foram fazendo” introduções de tecnologias com a velocidade a que andava o seu mundo físico. Não entenderam que o mundo digital obriga a agilidades, adaptações e evoluções muito mais rápidas e constantes. Agora fizeram a transformação à força, mas sem sustentabilidade.

Importa agora racionalizar e começar a estruturar o seu negócio baseado em estratégias digitais. Importa entender que para estar no mundo digital é deixar de colocar no seu site ou rede social frases básicas de “não temos a loja aberta às 22h, mas estamos aqui e envie-nos um mail”. O negócio digital é 24×7!

O negócio digital começa na forma como a própria empresa tem os seus processos internos. É fundamental saber olhar para dentro e entender que não podemos continuar a imprimir papel para assinar manualmente, apenas porque sinto o poder na mão ou na caneta. Que existirá um conjunto vasto de colaboradores que deixará de fazer atividades repetitivas, como fazer scans de cartas. Que existirão novas equipas com funções analíticas sobre dados e trabalharão por objetivos e tarefas claras, e não pelo “pica ponto” horário. Até se questionará a razão pela qual se “necessita” de um escritório de 900m2, se há metade da equipa a funcionar por objetivos e tarefas em home-office.

A interação com clientes e fornecedores passará maioritariamente por meios eletrónicos, com integração direta de sistemas e não por meios físicos. A reunião pode “ser já”, em modelo videochamada, ao invés de esperar 1 semana para encaixar a deslocação na agenda e perder “meio dia” na reunião.

A experiência dada na relação externa da nossa cadeia de valor, com os clientes, será tendencialmente digital e virtual, razão pela qual temos de saber dar sensações e transmitir emoções por essa via.

É hora de racionalizar a sua estratégia de negócio, assente em estratégias digitais. O período ainda é emotivo, mas é agora que tem de ver para lá do “muro” e deixar para trás o “sempre fiz assim”.

Olhe para dentro da sua empresa, para os seus processos, e faça a questão “se a minha empresa começasse hoje, com a tecnologia de hoje, como é que eu faria?”. Como Winston Churchill disse: “tem de fazer o que é necessário”! E é agora necessário reequacionar todos os processos da empresa.

Agarre a oportunidade digital!

Rui Ribeiro

Com mais de 20 anos de experiência profissional é atualmente Diretor Geral da IPTelecom, tendo anteriormente sido Diretor Comercial e Desenvolvimento de Negócio da Infraestruturas de Portugal S.A., Diretor de Sistemas de Informação na EP – Estradas de Portugal S.A. e Professional Services Manager da Sybase Inc. em Portugal. A nível universitário é Diretor Executivo da LISS – Lusofona Information Systems School, Diretor da ESCAD – Escola Superior de Ciências de Administração do IP Luso, Diretor da licenciatura em Informática de Gestão da ULHT e Docente da ULHT. Licenciado em Engenharia Informática pelo IST, MBA na Universidade Católica Portuguesa e DBA – Doctor in Business Administration no ISCTE/IUL com a Tese “Business Models for Open Source Software Vendors”.

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