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Empresa Covid-ada ao digital: ande agora, acelere a seguir!

O povo costuma dizer que “Parar é morrer!” e tem razão!

 

Neste momento, todas as empresas estão preocupadas com o seu futuro. Estão a ver as suas produções paradas ou amputadas por falta de matérias primas, por risco de infeção dos seus recursos humanos ou pelo facto dos seus clientes cancelaram encomendas ou deixaram mesmo de comprar. Estes são factos certamente desafiantes para qualquer negócio.

Estamos perante um modelo natural de predadores e presas, onde estamos a ser postos à prova direta no fenómeno dos 3 Fs (freeze, flight e fight) do comportamento dos seres vivos. E a maioria das empresas não está treinada para estas situações.

Em termos práticos, neste momento de emergência que vivemos, não é tempo de “congelar” (freeze) as empresas. Ficar parado à espera que a pandemia se vá embora, parando as operações, enviando as equipas para casa sem tarefas ou mesmo deixar de continuar a procurar vender, implicará certamente um custo incalculável de falência técnica e de prejuízos sociais.

Esta é a fase de correr (flight) e de combater (fight). E porquê as duas opções? Pelo simples facto de que temos de ser rápidos a reagir e de procurarmos novos caminhos de gestão interna e externa, com novos modelos de eficiência das operações e de eficácia das vendas, através de busca de novos canais digitais.

É por isso que as empresas precisam de entender o mundo digital. É por aí que têm de correr e combater, agora mais que nunca.

Corra com as equipas “dos escritórios”. Aí tem de se reorganizar, saber colocá-los a trabalhar desde suas casas. As empresas que ainda tinham a visão do “pica o ponto” às 9h e “pica o ponto” às 18h, vão ter de reconhecer que um colaborador deve cada vez mais trabalhar por objetivos e não por tempo. É aí que o digital apoia! Não só vai ser uma corrida contra o tempo, mas uma exigência futura de escolha dos melhores para trabalharem desta forma (objetivos – fight, e tempo – flight). De futuro, a empresa vai passar a contratar quem estrutura tarefas, quem comprove ser organizado, que tenha elevados níveis de exigência. Comecem já agora a fazer a filtragem natural de profissionais que vai selecionar. Escolha aqueles que conciliam e equilibram as 24 horas com o seu trabalho, a sua família, o saber estar em lazer, o ter tempo para descanso. E, aqueles que no final fazem o essencial para a sua empresa: entregam, na data comprometida as suas tarefas!

Lute com todas as forças que tiver, para entender o que pode mudar nos seus processos, usando novas tecnologias. Nesta fase de pandemia, e não tendo feito o seu “trabalho de casa antes”, pode migrar, ou mesmo começar de novo, através de ambientes disponíveis na Cloud. Mude a sua solução de faturação ou de recursos humanos ou de gestão de clientes ou de compras, mas mude para garantir que não fica preso no “mesmo local”. Há muitas alternativas disponíveis e muitas ações para se transformar digitalmente já.

Corra com todas as forças que tiver, para alterar a forma como vende. Nesta fase é essencial que desenvolva ações de disseminação do seu portfolio, chegando por canais digitais aos seus mercados. Uma vez mais, estão disponíveis online várias soluções que apoio na geração de novas oportunidades (inbound marketing), automatizando todo esse processo, garantindo que com pequenos investimentos o seu funil de vendas não diminuiu e quiçá aumenta. Estão disponíveis online ferramentas que o ajudam a interagir diretamente com os clientes, quer em processos de finalização de vendas, quer em pós-venda. Agende reuniões em videocalls, fazem o mesmo efeito hoje quando comparadas com as reuniões presenciais de há um mês. Hoje, mais que nunca, vivemos uma maturidade tecnológica muito elevada e fácil de implementar. Basta querer e não nos limitarmos ao que fazíamos. É tempo de ir à luta… agora faça-o bem.

Em conclusão, agora é tempo de incorporar mais processos digitais na sua cadeia de valor. Vão ficar perfeitos esses processos? Provavelmente não, mas é preferível garantir agora que a sua empresa “anda” digitalmente hoje e amanhã, do que nem sequer andar e ficar agarrada a um ventilador, transformando-se num grupo de risco da pandemia.

Ande agora no digital, mesmo que não seja da forma mais eficiente, mas é esse andamento que lhe permitirár acelerar quando a retoma vier.

Rui Ribeiro

Com mais de 20 anos de experiência profissional é atualmente Diretor Geral da IPTelecom, tendo anteriormente sido Diretor Comercial e Desenvolvimento de Negócio da Infraestruturas de Portugal S.A., Diretor de Sistemas de Informação na EP – Estradas de Portugal S.A. e Professional Services Manager da Sybase Inc. em Portugal. A nível universitário é Diretor Executivo da LISS – Lusofona Information Systems School, Diretor da ESCAD – Escola Superior de Ciências de Administração do IP Luso, Diretor da licenciatura em Informática de Gestão da ULHT e Docente da ULHT. Licenciado em Engenharia Informática pelo IST, MBA na Universidade Católica Portuguesa e DBA – Doctor in Business Administration no ISCTE/IUL com a Tese “Business Models for Open Source Software Vendors”.

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