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Emprego do futuro: o Humano Digital

Empresário ponta gráficos e símbolos como futuro.

No mês de janeiro de 2020, o Fórum Económico Mundial (WEF) apresentou, na sua habitual reunião em Davos, um relatório de elevada importância estratégica pessoal e empresarial: “Empregos de Amanhã: mapear oportunidades na Nova Economia” . Há várias análises que se retiram deste relatório e outras que podemos começar a extrapolar.

Uma das primeiras extrapolações que começa a ser evidente é que, depois do “susto” do desaparecimento de empregos na 4ª Revolução Industrial, à semelhança do que ocorreu em anteriores Revoluções Industriais, começa a ser evidente o aparecimento de novos tipos de emprego que irão equilibrar os existentes.

 

Mas onde está o problema?

Está na capacidade de ter profissionais qualificados para as exigências dos novos empregos. Isto é, estaremos perante desafios de (re)qualificação de competências e agilidade de adaptação a novas exigências e novos cenários de negócio.

Importa enquadrar que neste relatório foram identificadas 96 profissões agrupadas em 7 clusters: Economia da Saúde, Dados e Inteligência Artificial, Engenharia e Cloud Computing, Economia Verde, Pessoas e Cultura, Desenvolvimento de Produtos, Vendas + Marketing + Conteúdo.

Este relatório deve ser lido, e entendido, mais do que uma simples listagem de profissões de futuro. Deve ser analisado também com uma perspetiva crítica empresarial de estratégia e tendências de futuro, nas quais destaco as seguintes análises: a confirmação da exigência tecnológica como base essencial da competitividade, o aparecimento da produção de conteúdos como motor de marketing e vendas, a essencialidade do fator competências comportamentais, na relação de grupo e com a comunidade.

Neste sentido, e começando pela confirmação da exigência tecnológica, não sendo uma novidade, é na realidade já um facto reconhecido por todos. E quem ainda tenha dúvidas do impacto que a tecnologia tem na eficiência pessoal, profissional e empresarial, estará certamente desenquadrado da realidade. Neste relatório, mesmo aqueles clusters de profissões que aparentemente nada têm a ver com a tecnologia, todas têm ou competências ou profissões específicas tecnológicas. A título de exemplo, no Cluster da Economia Verde os Sistemas de Informação Geográfica são a referência ou no Cluster de Pessoas e Cultura a necessidade de profissionais em Analítica de Dados são uma das principais inovações.

Este relatório traz-nos a “novidade” do reconhecimento público de que para vender, ou desenvolver projetos de marketing, é essencial a produção de conteúdos. Isto é, começa a ser entendido que as empresas, para estarem efetivamente presentes no mundo digital, necessitam de começar a estruturar Estratégias de Conteúdos capazes de suportar e potenciar as vendas e o marketing. Isto é, já não podemos ser só bons vendedores ou só bons marketeers, precisamos ser também bons no produzir e colocar os conteúdos adequados no canal certo e à hora certa.

Por fim, e subjacente a grande parte das competências profissionais identificadas no relatório, estão as competências interpessoais e de gestão. As chamadas soft skills identificadas são a liderança, a capacidade de ensinar e aprender, a criatividade, a capacidade de abstração e resolução de problemas e o cuidar do outro. Estes são destaques explícitos e implícitos, de uma forma quase transversal, a todos os Clusters de profissões de futuro identificadas no relatório.

Em jeito de conclusão, e pegando no título deste artigo, o mundo digital tende a automatizar-se. Os humanos tendem a ter muito mais capacidades (maior produtividade) se potenciarem a seu favor as tecnologias. Os níveis de exigência e de avaliação serão também mais elevados e ser um bom técnico já não é suficiente!

Deste relatório retiro que o profissional do futuro se caracteriza como um profissional com um elevado grau de competências técnicas digitais, independente do setor de atividade ou da função que exerce, à qual tem de aliar obrigatoriamente capacidades de gestão individuais e de grupo, bem como saber estar, saber relacionar e saber resolver.

O profissional de futuro é um Humano Digital!

Rui Ribeiro

Com mais de 20 anos de experiência profissional é atualmente Diretor Geral da IPTelecom, tendo anteriormente sido Diretor Comercial e Desenvolvimento de Negócio da Infraestruturas de Portugal S.A., Diretor de Sistemas de Informação na EP – Estradas de Portugal S.A. e Professional Services Manager da Sybase Inc. em Portugal. A nível universitário é Diretor Executivo da LISS – Lusofona Information Systems School, Diretor da ESCAD – Escola Superior de Ciências de Administração do IP Luso, Diretor da licenciatura em Informática de Gestão da ULHT e Docente da ULHT. Licenciado em Engenharia Informática pelo IST, MBA na Universidade Católica Portuguesa e DBA – Doctor in Business Administration no ISCTE/IUL com a Tese “Business Models for Open Source Software Vendors”.

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